
O afastamento do fundador de uma empresa representa um dos momentos mais críticos para a continuidade dos negócios. A transição de comando nas empresas familiares brasileiras enfrenta índices elevados de fracasso.
Dados da PwC mostram que 36% dessas organizações conseguem alcançar a segunda geração sob gestão familiar. Cerca de 19% das companhias familiares permanecem ativas até a terceira geração. Apenas 7% atingem a quarta geração.
Levantamentos da PwC apontam que 27,6% das empresas familiares no país possuem plano de sucessão estruturado para posições estratégicas. Entre as companhias de maior porte, com receita superior a R$ 400 milhões anuais, esse índice não supera 40%. Apenas 65% dessas organizações contam com alguma estrutura de governança corporativa implementada.
Somente 7% das empresas familiares brasileiras dispõem de mecanismos formais para mediação de conflitos entre membros da família. Dados do IBGE divulgados em 2024 mostram que as empresas familiares são responsáveis por aproximadamente 65% do Produto Interno Bruto brasileiro. Essas companhias empregam 75% da força de trabalho nacional.
Estudos da PwC mostram que companhias familiares com conselhos de administração profissionalizados apresentam aumento de até 45% na expectativa de longevidade. Essa correlação demonstra o impacto direto da governança estruturada na sobrevivência organizacional.
“Documentar processos, formar lideranças internas e criar governança clara são passos que precisam começar anos antes da sucessão, não durante a crise”, diz o executivo.
O CEO do Grupo PBF identifica como erro recorrente a resistência em discutir abertamente o tema da sucessão no ambiente familiar. “Muita gente evita falar sobre isso porque parece prematuro. Mas as empresas que mais sofrem nesse processo são justamente as que nunca planejaram, nunca formaram substitutos e nunca deram autonomia real à próxima geração ou a executivos de fora da família”, completa Arcelino Calado.
A documentação de processos, a formação de lideranças preparadas e a implementação de estruturas de governança emergem como elementos centrais para reverter a baixa taxa de sobrevivência das empresas familiares nas transições geracionais.