Para o CEO do Grupo PBF, Arcelino Calado, o primeiro erro de quem entra no comércio exterior é tratar a operação como uma compra ou venda comum.
Comprar da China ou vender para o mercado chinês deixou de ser operação restrita a grandes conglomerados. Pequenas e médias empresas brasileiras passaram a importar insumos e produtos acabados asiáticos, enquanto exportadores nacionais ampliaram a presença no mercado chinês. Por trás disso, existe uma engrenagem burocrática, cambial e logística que pega de surpresa quem está começando.
Para o CEO do Grupo PBF, Arcelino Calado, o primeiro erro de quem entra no comércio exterior é tratar a operação como uma compra ou venda comum. “Envolve câmbio, tributação, prazos alfandegários e uma cadeia logística internacional que precisa ser planejada com antecedência. Quem ignora essa complexidade paga caro”, afirma.
O transporte marítimo é a via mais usada nas operações com a China, com prazos de trânsito que variam de 30 a 45 dias, aos quais se somam os trâmites de desembaraço aduaneiro nos portos brasileiros. “Quem calcula o prazo de entrega só pelo tempo de navegação esquece do tempo de porto e da análise documental. Isso pode adicionar semanas ao cronograma”, explica.
A variação cambial afeta a margem de quem importa ou exporta, já que contratos costumam ser fechados em dólar. Segundo Calado, muitos iniciantes não protegem a operação contra oscilações do câmbio entre o pedido e o pagamento. “Existem instrumentos de proteção cambial que ajudam a travar o custo em reais. Ignorar esse risco é abrir mão de previsibilidade financeira”, diz o empresário.
Tributação
A carga tributária sobre produtos importados no Brasil é considerada uma das mais complexas do mundo, com impostos que variam conforme a classificação fiscal da mercadoria, o chamado código NCM. Um erro comum, segundo o executivo, é subestimar esse peso no preço final. “Muita gente esquece do imposto de importação, ICMS, PIS, Cofins e taxas portuárias na planilha de custo. Quando o produto chega, a margem que parecia boa já não existe mais”, alerta.
Tanto a importação quanto a exportação exigem documentos específicos, como fatura comercial, packing list e conhecimento de embarque. Atrasos na emissão desses documentos são apontados como uma das principais causas de mercadoria retida em portos. Para Arcelino Calado, montar uma rotina documental organizada, com apoio de despachante aduaneiro experiente, separa quem opera com previsibilidade de quem vive apagando incêndio. “Comércio exterior recompensa quem se planeja e pune quem improvisa. Não é um mercado para amadores, mas também não é inacessível para quem se prepara direito”, resume o CEO do Grupo PBF.